Retatrutida: mais potente que Mounjaro?

Os novos tratamentos para controle de peso estão ganhando cada vez mais espaço no mercado farmacológico, atualmente já existem diversos medicamentos que ajudam no emagrecimento e garantem resultados satisfatórios para o público que busca esse objetivo. Entre eles, destacam-se o Mounjaro e a Retatrutida , duas opções promissoras que geram muito interesse no mundo da medicina e dos pacientes. Embora ambos sejam utilizados para o controle glicêmico e redução de peso, a questão que surge é: será que o Retatrutida será mais potente que o Mounjaro?

Retatrutida vs. Mounjaro: como cada um funciona

O Mounjaro, desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, é o nome comercial de um medicamento que tem como princípio ativo a tirzepatida. A tirzepatida é um agonista duplo, ou seja, ela age de maneira análoga a dois receptores no corpo: o receptor do GLP-1 (glucagon-like peptide-1), que age no retardamento do esvaziamento gástrico, o que prolonga a sensação de saciedade, e o receptor do GIP (peptídeo insulinotrópico dependente de glicose), que é um hormônio envolvido na regulação da insulina e na redução da glicose no sangue. Estudos clínicos demonstraram que a combinação dos dois hormônios permite que o Mounjaro atue de maneira mais completa que o antigo ozempic / wegovy, atingindo vários mecanismos envolvidos no metabolismo da glicose e do peso.

Já o Retatrutida, também desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, é um medicamento mais recente, ainda em testes, portanto essa não é uma sugestão de uso!! A sua grande promessa para um tratamento mais eficaz no controle de peso se baseia no fato de que ele é um agonista triplo, ou seja, ela age de maneira similar a três hormônios presentes no organismo, o GLP-1 e o GIP, que já são contemplados pelo uso do Mounjaro, mas a novidade está na ação análoga ao terceiro hormônio, o Glucagon (GCG), que é responsável pelo aumento o nível de glicose no sangue. Dessa forma, o Retatrutida é capaz de agir no controle da saciedade, na melhora da secreção de insulina após uma refeição e no controle dos níveis glicêmicos. 

Mas afinal, o que mostram os estudos?

Embora a Retatrutida ainda esteja em fase de estudos, os primeiros resultados têm mostrado um potencial significativo para o controle glicêmico e a perda de peso quando comparado a outros medicamentos como o Mounjaro e o Ozempic.

Um estudo com 338 adultos com obesidade ou sobrepeso com comorbidades associadas, publicado na New England Journal of Medicine (NEJM), avaliou a segurança e a eficácia da Retatrutida na redução do peso corporal e no controle dos fatores metabólicos relacionados à obesidade. Neste estudo a Retatrutida foi associada a uma redução significativa do peso corporal, sendo que a utilização da dose mais alta de Retatrutida levou a uma redução média de até 24,2% do peso corporal, os efeitos coleterias mais comuns foram náusea, vômito, diarreia e dor abdominal, que já são típicos de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, como o Mounjaro. 

Apesar dos resultados promissores que a Retatrutida têm apresentado, é importante ressaltar que esse medicamento ainda não está disponível para compra no Brasil, sendo assim, são necessários novos estudos que comprovem a sua eficácia rea e segurança  e futuramente a aprovação desse medicamento pelas agências regulatórias de saúde brasileiras. 

A indústria farmacêutica tem tido um grande avanço na criação de novos tratamentos para as mais diversas doenças, como os medicamentos para emagrecimento, que podem trazer um impacto extremamente positivo e melhorar drasticamente a qualidade de vida das pessoas. O uso desses medicamentos devem ser acompanhados por mudanças no estilo de vida, como a adequação a uma alimentação balanceada e saudável, a prática regular de exercícios físicos, ingestão hídrica adequada e cuidados com a qualidade do sono, consultar um profissional capacitado, que saberá avaliar qual o melhor tratamento, é o primeiro passo para atingir os objetivos desejados. 

Referências:

  1. ROSTENBERG, J.; WYSHAM, C.; FRÍAS, J. P.; VAN J., KUTNER, M. E.; CUI, X.; BENSON, C.; URVA, S.; GIMENO, R. E.; MILICEVIC, Z.; ROBINS, D.; HAUPT, A. Retatrutide, a GIP, GLP-1 and glucagon receptor agonist, for people with type 2 diabetes: a randomised, double-blind, placebo-controlled, phase 2 trial. The Lancet Diabetes & Endocrinology, v. 11, n. 5, p. 345-356, maio 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.landes.2023.04.005.
  1. SANYAL, A.; CHALASANI, N.; KOWDLEY, K. V.; MCCULLOUGH, A.; VAN NATTA, M.; CLARK, J. M. Triple hormone receptor agonist retatrutide for metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease: a substudy of a phase 2 trial. Nature Medicine, v. 30, n. 3, p. 548-556, mar. 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1038/s41591-024-03018-2.
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